Site força leitores a provar que leram o texto antes de comentar

Imagem Reprodução

Um quiz anti-baboseira é a nova introdução do site norueguês NRK ao mundo dos comentaristas de internet. Os números não negam: as pessoas compartilham e comentam cada vez mais, mas passam um tempo progressivamente menor em cada página. A conta não fecha: tem muita gente que já se empolga a comentar só com base no título.

As estatísticas são assustadoras – 6 em cada 10 links compartilhados no Twitter nunca receberam um clique sequer – mas a NRK, empresa estatal de rádio e TV na Noruega, está testando uma ferramenta para tentar deixar os debates nos comentários mais produtivos.

Prova surpresa!

Algumas das matérias publicadas no site da NRK, no NRKBeta, setor dedicado a tecnologia têm os comentários bloqueados – a menos que o leitor responda 3 perguntas de múltipla escolha sobre o conteúdo que, em teoria, ele acabou de ler. São questões simples, como o significado de uma sigla usada no texto, por exemplo. Um plugin acrescenta questões aleatórias para cada usuário – e por enquanto, fazer as perguntas é uma responsabilidade extra do próprio repórter.

Atualmente, os quizzes são postados em matérias de tecnologia que tem chance de alcançar o grande público. Segundo a NRKBeta, seu público normal é bem limitado a nerds que gostam de colaborar nos fóruns, se ajudando com pequenos desafios tecnológicos. Mas em textos mas amplos e polêmicos – como uma matéria sobre um fórum que publicou pornografia infantil na Noruega – acabam atraindo uma multidão mais diversa – e com sangue mais quente. Por enquanto, o quiz parece estar ajudando a elevar o nível do debate nesses casos, por causa de quatro fatores específicos:

1)Comprovação de leitura

O benefício mais óbvio é que se garante que o leitor leu, mesmo que por cima, todas as informações apuradas pelo site.

2) Sem “fuga do tema”

Como nas redações do vestibular, comentadores de internet tendem fugir do tópico em discussão. Depois das três perguntas, porém, eles acabam focando em aproveitar o espaço da NRK para falar sobre o texto, sem tangenciar o tópico.

3) Terreno comum

Segundo uma das jornalistas da NRKBeta, a discussão é mais rica quando os leitores concordam com os fatos básicos sobre um assunto – e aí vão além no debate. “Se todos concordam com aquilo que o artigo diz de fato, eles tem mais base para comentar sobre ele”, disse Ståle Grut. “Se você realmente quer debater algo, é importante saber o que está no artigo e o que não está no artigo. De outra forma, as pessoas só vociferam”.

4) Tempo de respiro

Por último, os 15 segundos que o teste leva para ser completado ajudam o comentarista a respirar. Ele sai do modo gritaria e tem tempo de pensar no tom dos seus comentários, dizem os jornalistas.

A decisão por criar essa barreira foi baseada na ideia de que a empresa, por ser financiada com dinheiro público, tem a função de promover debates de alto nível e educar os cidadãos. Claro que alguns leitores foram contra – e já encontraram um script que bloqueia o plug-in do quiz. Mas isso não preocupa muito os editores da NRKBeta. Se um usuário se deu ao trabalho de ir procurar um script, ele provavelmente está inserido o suficiente na comunidade para querer ter uma discussão produtiva. Para todos os outros “tipos” de comentarista, a Guerra de Textões ainda é livre no Facebook.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *